Gordofobia – ou até onde podemos chegar sem empatia

Por Edivana Poltronieri*

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta a obesidade como um problema de saúde pública. Estima-se que, até 2025, cerca de 2,3 bilhões de adultos estejam com sobrepeso e 700 milhões obesos. No Brasil, a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) aponta que 50% da população já está acima do peso, seja com sobrepeso ou obesidade.

Em um cenário em que a obesidade chega a atingir metade da população brasileira, cresce na mesma medida a chamada gordofobia ou aversão a pessoas gordas. Uma pesquisa realizada pelo Ibope em 2017, por encomenda da Skol Diálogos, mostrou que esse preconceito está presente na rotina de 92% dos brasileiros. Para se ter uma dimensão do problema, 89% admitem que já falaram ou ouviram alguém falar “ele é bonito (a), mas é gordinho (a)”.

No Dia Mundial de Combate ao Bullying, celebrado em 20 de outubro, eu convido as pessoas a praticarem a empatia com o obeso, e eu posso fazer esse convite porque eu passei por isso. Como ex-obesa grau II, eu vivi todo o drama da obesidade, desde as limitações que a condição nos impõe, como não conseguir cruzar as pernas ou calçar os sapatos, até olhares e palavras de preconceito.

O obeso é uma pessoa fragilizada, que precisa de ajuda. A grande maioria já experimentou várias tentativas de emagrecer, e sofre o peso do fracasso e a descrença das pessoas à sua volta de que é capaz. Ele vivencia preconceito e discriminação, por meio de olhares recriminadores e palavras ríspidas. Sofre dificuldades e limitações que o levam à exclusão, com a sensação de viver à margem, fora de um mundo desenhado para pessoas magras e felizes.

A maior parte das interações que recebe são negativas; poucos deles recebem estímulos e incentivos. E o pior: a opressão muitas vezes começa na própria família e se estende por toda uma sociedade que relaciona a obesidade ao desleixo e à falta de força de vontade. O resultado é um indivíduo que experimenta uma dor emocional imensa: depressão, tristeza, frustração, angústia, solidão, ansiedade. Um ser humano com baixa autoestima que se sente excluído, inferiorizado e humilhado.

Muito falamos sobre o preconceito racial ou de sexo. Mas hoje, eu te convido a revisitar uma prática frequente que atinge milhares de obesos e que pode estar impedindo que eles tenham força para mudar: o bullying por meio da gordofobia. Fica um alerta sobre frases prontas, práticas e ações que hostilizam aqueles que não seguem os padrões estabelecidos. O respeito ao próximo, a compaixão e a empatia são ótimos remédios contra essa discriminação.

*Edivana Poltronieri é fisioterapeuta, ex-obesa grau II e fundadora do 5S